quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Primeiro conto - CAMINHANDO PARA O DESTINO

Bem gente, escrevi a algum tempo essa cronica e resolvi finalmente postar no Blog, então, que gostar deixa um comentario, quem não gostar deixa um comentario tambem.

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1 - Prólogo
Manha reluzente

A Manha Começava rápida entre Som de carroças e cumprimentos na rua, Rouxinóis cantando sobre as Cerejeiras em flor, o ar primaveril que invadia o quarto da Estalagem, e o som da expectativa, ah o som da expectativa era forte porem suave e a colhedor. Levantando de seu Futon de palha e algodão, olhou o pobre quarto a sua volta, madeira quebrada, o telhado tão gasto pelo vento e chuva, e a porta de papel partida, um ninho pensou ele, um novo começo.
Levantando rápido juntou suas coisas, uma trouxa de memórias perdidas, poeira da estrada, roupas Puídas pelo tempo e uma carta, papel caro pensou ele, e o selo era importante, bem, estava borrado, como tambem a tinta de algumas palavras, mas quem não tem destino sempre segue um caminho que se abre, mesmo sem saber onde iria chegar com ela.
“Saldações... Edo... Estrada... sempre... venha” Eram essas as palavras a serem lidas, poucas, mas nunca tão poucas palavras emanaram tanta esperança ao pobre lavrador, vindo ele de uma pequena aldeia na província de Saitama, onde arroz e pesca davam seu pouco alimento e sustento, lembrava da paciente pesca com seu filho, os banhos no rio Arakawa, as corridas com sua amada, o colher de uma flor, ou o aroma da terra.
Saindo da estalagem foi cegado pelo Sol matutino que já estava alto no céu, um pequeno comprimento quase de praxe, recebendo com um sorriso um pouco de arroz Cozido, uma garrafa de Sakê e frutas secas para a viagem de 3 dias. sabia que após começar a caminhar não haveria abrigo, agradece e parte para sua pequena jornada em busca do desconhecido.
Olhando a estrada arida de terra seca pela grande estiagem, a chuva não havia tocado o solo nessa primavera, o inverno se foi a muito, e só o sol reinava soberano sobre os Céus, ele sabia bem os efeitos disto, sua lavoura de arroz, suas hortaliças, todas morreram, o fim da primavera chegando, e tudo foi perdido, não podia alimentar mais sua familia, a dor preencheu sua mente, a dor de lembranças secas como a terra, mortas como o arroz, mas o horizonte parecia promissor, “Saldações... Edo...Estrada... sempre... venha” palavras que faziam seus pés cansados e doloridos andarem sempre mais um passo.

2- Desfecho
O templo da Estrada.

O caminho seguia, o Sol já se escondendo naquela linha imaginaria no fim do caminho, tingindo o Céu de cores quentes porem que definhavam na esperança de uma noite negra e estrelada. Parado em frente a uma arvore de Nogueira, a corda de arroz a sua volta e os Origamis sagrados diziam tudo, estava a frente de um Kami, reverenciando ele gentilmente, esse solitário Kami isolado na estrada, se abaixou para pegar uma folha que tinha caído, a seu ver uma graça a alcançar, ou quem sabe só proteção nessa estrada que seguia como que ininterrupta.
Ao se abaixar sua mão toca algo macio, tenro. Olhando para o lado, abrindo os olhos até agora fechados pela oração vê uma Jovem mulher, roupas de seda do mais fino trato, e seus cabelos presos por um pente de osso e madre perola, algo tão refinado que á frente da face branca da jovem ele se curvou a uma reverencia solene, levando a jovem a um riso Gostoso e acolhedor. Ao se levantar ele repara nos profundos olhos cor de caramelo queimado, mas vivos como o por do Sol, uma profusão de vermelho e caramelo.
Numa segunda reverencia solene ele se apresenta a dama, de sua boca emergem as palavras.
- Muito prazer Senhora, sou Furui Kotori, aos seus serviços.
A jovem se curvando um pouco menos para o Jovem de aparência vigorosa porém triste, se apresenta em tom solene.
- Sou Oishii Shitori, muito prazer.
Após poucos cumprimentos, e agradecimentos sem nexo, a despedida é inevitável, e ele segue seu caminho com um Adeus, ela ouvindo partir ri, dizendo em seguida.
- Senhor, tambem vou para esse caminho, estou indo para o fim dessa estrada, gostaria de compania?
Em resposta recebe um sorriso amável do jovem Kotori que acena com a cabeça um caloroso sim.
Seguindo Juntos pela estrada Iluminada pela lua minguante nos céus, a pergunta surge da boca da jovem Shitori.
- Para onde o senhor vai com tanta pressa a ponto de caminhar pela noite a dentro por essa estrada?
- Vou para Edo Shitori-San, bem, mas para entender o porquê gostaria de ouvir minha historia?
A jovem concorda com a cabeça, e ambos se sentam ao pé da estrada, em pedras que delimitavam onde estrada começava e onde o descampado surgia, o barulho de um rio ao longe chamou a atenção do jovem antes de qualquer palavra surgir, mas começou a contar sua vida.
- Jovem dama, nasci numa pobre aldeia perto daqui, antes desse inverno rigoroso seguido de uma primavera seca, tínhamos, eu e minha familia, uma pequena roça de arroz, uma pequena horta de legumes, e o rio que seguia ao largo de nossa casa. Porém jovem senhora, como disse, o inverno foi rigoroso e assim minha amada esposa ficou doente.
Numa pausa que parecia eterna para nosso lavrador, ele começou a lembrar das cenas que deram origem a sua dor, as portas batendo pelo vento e neve, as tosses sanguinolentas de sua amada, o choro de seu filho de só 2 anos de idade ao lado da mãe moribunda, e o grito final, como uma ave abatida, e o silencio, o doloroso silencio encerrado pelo doloroso gritos e choros de um filho agora sem mãe e um marido devotado agora solitário.
- Desculpa pela divagação, mas isso me trás memórias dolorosas, vamos buscar água, a viagem é longa, e só tenho pouco suprimento.
A jovem consentiu com um sorriso calmo, doce como os braços de uma mãe, e seguiram juntos para o rio, pela grama alta, e pequenos pedaços de carroças destruídas. A luz da lua iluminava as águas do rio, pequeno, raso, calmo, mas com um doce som de água corrente. A jovem pegando um recipiente de bambu e laca dourada que trazia com consigo, o jovem uma bolsa de couro e ambos pegaram à água, beberam um gole, e encheram seus receptáculos.
Sentando na margem do rio, ambos olhando as estrelas e ouvindo o som das águas, ele recomeça sua lastimada historia.
- No fim do inverno, eu e meu filho olhávamos o campo e começamos a plantação, o inverno rigoroso acabou com nossa comida e vivíamos do pouco que alguns vizinhos mais afortunados nos davam. Mas no decorrer da primavera, a terra não viu mais chuva, o rio diminuiu de tamanho, e a nossa colheita foi perdida, os brotos morreram pelo sol, e os peixes não chegavam ao rio como antes.
Olhando os céus e pensando, fitando ao longe uma estrela, começou a se lembrar do filho, emagrecendo a olhos vivos, cada dia mais ressecado como a terra, aquele pequeno broto de bambu, que simplesmente secou e morreu. Pensando nisso lagrimas correram por sua face e no fim ele disse.
- Assim meu doce filho morreu de fome, seco, ossos que agonizaram até o fim de uma vida curta porém difícil. Às vezes olho para o céu dama, e imagino porque os deuses fizeram isso comigo. Não, porque fizeram isso conosco.
A dama olhou para ele profundamente, e acariciou sua face, enxugando suas lagrimas com a barra de seu kimono azul profundo, assim que ela terminou, ele sorriu um pouco, dizendo em palavras vigorosas.
- Mas acho que os deuses sorriram para mim depois de tanta tempestade, estava pronto para terminar com minha vida, encontrar meus amados filho e esposa, quando essa carta chegou, no único dia de chuva, me lembro bem, quando peguei a carta, havia poucas palavras legíveis, mas me encheram de esperança para partir, e começar algo novo.
Pegando a Carta e entregando para a Dama, ela sorri, e abre o envelope, olhando o selo, e abrindo a carta, lendo elas por instantes, nota o apagar de algumas palavras. Olhando docemente hora para a carta incompleta, hora para a face do jovem ela sorri, tira da manga de seu kimono um frasco com tinta negra e um pincel, escrevendo na carta duas palavras, rápidas e precisas, duas palavras que cobriam todo o papel, escondendo as palavras de esperança de um passado cinza. Assim, mostrando ao jovem, que iniciando o choro de novo encarava hora carta, hora à face pálida da jovem iluminada pela lua minguante.


3 - Finalização
Nas Margens do Rio
Verdades luminosas

Os olhos mareados de lagrimas do Jovem focavam a mensagem e a nova palavra escrita sobre as linhas incompletas, não entendendo muito o porquê do que estava acontecendo, suas lagrimas vazavam o resto enquanto negava a escrita impecável.

O sorriso sarcástico da Jovem a sua frente que agora em pé mostrava todo seu esplendor, olhando com cuidado notou que os alvos pés da jovem estavam suspensos no ar, viu aos poucos seu pente escorrer pelos cabelos negros da jovem, ao tocar o chão o osso e a madre perola do pente evaporaram se tornando nevoa e vaga-lumes que como um manto rondavam a jovem.

Seus cabelos soltos e revoltos, a nevoa e as luzes dos vaga-lumes, se uniram ao kimono que resplandecia em um brilho fosco na noite estrelada, quase ofuscando o brilho da Lua, um leque alvo em sua mão direita. Agora sua face antes calma transparecia fúria porem ao mesmo tempo justiça.

Em vão tentou se afastar caindo para trás entre as longas pedras as margens do rio, fazendo cair na água plácida que sem se importar com o destino continuava seu curso ininterrupto, carpas multicoloridas vagavam pelas águas, e os seixos lisos e redondos aos seus pés eram ignorados. Ajoelhado em frente da Donzela divina, dizia quase em transe, talvez pelo medo, talvez pelo profundo respeito agora aflorado.

- Quem é Você?

A jovem tampando metade de sua face com o leque deu uma risada, e disse com palavras que pareciam silenciar a noite.

- Sou o kami dessa estrada, você visitou meu santuário a pouco, e aos meus pés rezou com hipocrisia e mentiras em seu coração. Assim, te acompanhei nesse curto tempo, para em meu pequeno julgamento ver a verdade, e tentar extrair ela de seus lábios, mas em vão, só obtive mentiras banais e manchadas com o sangue de seus familiares, eles que te amavam profundamente.

Com o leque mirado para os Céus e agora se iluminando de cores etéreas e de perfeição inebriante a jovem olhando fixamente para aquele Jovem que como um pássaro acuado esperava seu destino final, lançou uma forte rajada de vento nele e assim sua mente ficou confusa, e num clarão de luz começou a enxergar o passado.

Aos poucos reconheceu onde estava, e ali na sua frente viu qual um quadro, viu ele, um frasco de veneno, e a água de sua amada esposa, e depois viu, ele dando a cada dia e noite a água para ela. Ouvia agora a voz da Bela Kami que dizia.

- Ser Cruel e injusto, munido da mais baixa arma, matou o ser que mais te amava, mas mesmo ela ao morrer, quando viu seu sorriso no ultimo suspiro de vida dela, só pediu uma coisa.

Assim ecoou entre as águas do rio o som doce da voz de sua esposa morta.

- Só cuide de nosso amado filho, só isso que te peço meu amado, mesmo que tenha me matado hoje, se redima disso, cuidando dele.

A voz aos poucos foi se afastando, e a luz que cegara seus olhos reduzia, e ao voltar a si olhou com os olhos em profundas lagrimas para a Jovem a sua frente, que com o leque levantando novamente, aquele leque envolto de cores espectrais, dizia serenamente.

- Você jurou a ela no seu leito de morte que cuidaria de seu amado filho...

Interrompida pela voz que gritava do jovem ajoelhado, dizendo.

- Mas não foi minha culpa.

Os Céus escurecidos por nuvens negras, deixavam escapar de sua mortalha pequenos feixes de luz lunar que incidiam na jovem Kami a sua frente, que com sua face em fúria e cabelos em ira pela força do vento que soprava gritou a plenos pulmões, retumbando para os quatro cantos do campo dizendo.

- Mentiras! Falsas palavras que profere a mim? Ousa continuar a mentir? Encare a verdade de sua desonra.

Ao dizer essas palavras, proferiu o ataque de seu leque, fazendo o jovem tremer com mais um ataque de vento e nevoa sobre ele.
Assim a luz mais forte e cegante mostrava a verdade mais uma vez e viu seu doce filho em volta de um profundo buraco, brincando sozinho enquanto ele ao lado, no rio tentava pescar. Ouve o grito de seu filho, o pedido de socorro, corre para ver o que acontecia, e quando chegou perto viu, seu filho, sua pele branca manchada de sangue, a face se contorcia de dor, e no fundo buraco que ele gritando por socorro naquele isolado ponto.

Ao ver aquela cena, viu, ele pegando uma pá, sorrindo enquanto dizia.

- Finalmente me livrei de sua pobre mãe, e agora me livro de você, assim nada me prende a essa terra arida e sem futuro.

Ele começou a empurrar a terra com uma enxada a sua frente, e entre os gritos confusos de seu filho, jogava a terra sobre seu corpo, que aos poucos era tampado com terra e pedras, e no fim, só conseguiu ver ele, em pé, firmando a terra com a enxada.

Após isso, a luz foi diminuindo tal como à luz de sua alma foi apagando, e ao fim, a doce donzela começou a desaparecer entre a nevoa que cobria o solo nesse horário, retornando a seu posto, sua morada viva, a nogueira do templo.

Ao desaparecer do rio, a nevoa a acompanhou, e assim revelou a luz da lua que aos poucos aparecia entre a chuva que começava.

A luz iluminava as pedras brancas do rio, entre elas jazia o corpo do lavrador, inerte entre as pedras, com os olhos abertos que refletiam a sua dor final, e sua face retorcida pela vergonha e punição, agora, sua face lentamente era molhada pela chuva que como lagrimas escorriam pelo seu corpo e chegando na Carta que agora iluminada pela Lua mostrava por alguns instantes a frase e sobre ela duas palavra escrita numa fina e bela caligrafia.

“Assassino”
“Desonra”



FIM
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Espero que tenham gostado....
Vou postar outras cronicas do decorrer da vida desse Blog, então beijos e abraços.

2 comentários:

  1. É linda demais! Escorreram lágrimas dos meus olhos ao terminar de ler! Muito linda!

    Parabéns!

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  2. Excelente Conto, aqueles que não encaram a verdade se perdem na culpa do passado e assim não encaram o Presente e não mudam o Futuro, ao tentar mentir para a Kami que lhe revelou a verdade sobre quem ele era no fim, agora ele pode caminhar para o Destino dele com a culpa e a vergonha dos próprios atos... Sem mentir mais pra si mesmo.

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