segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Terceiro conto - O Som dos Trens

Oi gente, vou postar um bem pequeno agora, escrevi faz meses, aproveitem...
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Mas um sol nasceu e se pos sem que fosse notado, agora tudo eram horas, tudo era um grande marcar de ponteiros, assim pensou Hana horas antes de com uma pequena lamina cortar os pulsos. Tudo era banal, tudo era passageiro - falou com a voz quase se apagando de dor, não a dor dos cortes, mas a dor de sua alma, a dor de ver pela janela suja pela poluição, essa neblina cinza e mórbida, as pessoas andando sem olhar realmente para o outro que caminha a seu lado.

Ali, deitada em sua cama, em uma poça de sangue, com seus longos cabelos negros soltos e emaranhados, molhados pelo sangue que quase não flui mais em suas veias, seus olhos cor de mogno e sua pele bronzeada pelo trabalho. Ali sozinha como sempre foi, ouvindo o som do trem das 20 horas, passando tão próximo, nunca gostou de morar ao lado dos trilhos, sorrindo com o pensamento sarcástico diz ao vazio – Pelo menos é a ultima vez que ouço o barulho ensurdecedor dos trens.

Falando com uma voz lenta, já sentia o sono final chegando, quase prevendo serem suas ultimas palavras - Amanha vai estar escrito Hana Hinamori, jovem de 22 anos, solteira, comete suicídio em seu pequeno apartamento no bairro de Arakawa.

Deixou uma lagrima solitária escorrer pelo rosto, limpando a pequena mancha de sangue em sua bochecha enquanto passava, disse - E mesmo assim, não tenho inimigos para rir de minha morte, ou amigos para chorar, nem familiares que lembrarão de mim, sou só, eu, minhas lagrimas salgadas e meu doce sangue, só a gente nessa cama.

Sentia um sono incontrolável, e de olhos quase cerrados podia ver, ali na sua frente as garras frias de um Shinigame retirando sua alma pelos cortes em seu pulso, aos poucos como quem sorve um delicado vinho e deseja provar o gosto refinado, de maneira lenta mais constantemente.

Sabia que seria assim, já tinha ouvido historias, mas considerava somente contos, pequenas lendas, nunca acreditara neles, enquanto olhava para os olhos negros do shinigame disse – Isso, coma minha vida, como minha morte, devore o fim que me resta, já que o mundo devorou cada um de meus sonhos e alegrias banais – fez uma pequena pausa e disse antes de cair no seu ultimo sono - Devore minhas dores, so restaram elas em mim para você.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Segundo conto - CONCHAS, PAIXÕES, E MARÉS.

Oi gente, outro conto meu, postado de ultima hora, espero que aproveitem.

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1 – prólogo
Sobre Madeira e águas


No belo mar de Okinawa, as margens da plácida praia da Ilha Ikei, as águas calmas e transparentes reluziam ao sol na manha, uma balsa solitária com um pobre pescador buscava algo mais do mar do que alimento para o corpo, ele buscava alimento para o coração.

Em meios a falésias de rocha negra e pequenas ilhas que tal qual montanhas de pedras surgiam do mar com suas arvores e vegetação.

A pequena balsa de troncos velhos, onde as marcas de muitos anos no mar já se mostravam presente, seja nos crustáceos e mariscos presos a madeira ou simplesmente no velho pescador ali sentado, admirando o mar com uma concha prateada nas mãos colada ao ouvido, ouvindo uma pequena serenata de ondas e sons marítimos, peixes, a voz taciturna das baleias. Aquela não era uma concha simples, ele sabia disso, ele mesmo havia comprado ela a muito tempo. Olhando para a filha ao seu lado, 16 anos ela faria amanha, acariciou os longos cabelos lisos e negros da filha, fitando os olhos azuis como as ondas do mar, e dizendo em tom sereno disse.

- Filha, chegou o momento de contar uma historia para você, a nossa historia, a tua historia, quer ouvir?

A filha parada a sua frente acenou com a cabeça, se ajeitou na balsa para ouvir a historia confortavelmente, sempre fora um mistério seu nascimento, mas finalmente saberia, finalmente descobriria esse pequeno mistério que envolve sua familia.


2 – Inicio
A Concha de prata


Filha há muito tempo atrás, a 17 primaveras mais ou menos, eu era jovem, tinha meus 38 anos, estava no auge do vigor, porem não tinha conhecido ainda um amor, pescava a tempos nessas águas meu anjo, meu único amor vinha do mar, os peixes que pescava em minha ligeira rede, os mariscos que colhia ao mergulhar, ou perolas que vendíamos quando achávamos.

Filha, seu pai pescava muito peixe, e como não tinha familia para alimentar, e meus pais, seus avós a muito já tinham morrido, sempre sobrava muito peixe das pescas, logo naquele dia em especial consegui uma boa quantia e fui ao centro do vilarejo para comprar algo. Chegando nas ruas de terra batida cobertas e pedras pude ver num canto escuro uma pequena senhora no chão da praça, velha, com roupas gastas pelo tempo, ela vendia um único item, de longe só pude ver o brilho pálido do objeto sobre lençóis finos de Seda azul e vermelha.

Olhando para face dela dessa distancia pude ver um sorriso acolhedor, mas tambem toda pobresa em sua face, via um misto de fome e cansaço da vida, tal qual ágüem que por muitas horas carrega um grande fardo.

Perguntei por educação o que era aquele item em especial, ela olhou meus olhos, seus olhos eram estranhos, era a primeira vez que olhava olhos que modificavam de cor como um caleidoscópio, indo do negro ao azul, do azul ao amarelo e assim até o cinza, todas as cores em uma dança lenta convergindo para uma pupila negra e bela.

Olhando-me ela disse numa voz calma.

- Querido jovem, essa concha prateada é um tesouro antigo, ao encostar ele em seu ouvido poderá ouvir todos os sons do mar, as vozes dos seres místicos das ondas, a graciosa voz dos peixes, e o canto da profundeza das águas. Porem quando preenchida da água do mar a concha chama sua antiga dona, a filha do kami das águas, a Donzela vestida de Espuma, dizem meu caro que seu Kimono é feito da mais bela seda adornada com perolas e madrepérola, seus cabelos negros e lisos são adornados por uma belíssima coroa de coral vermelho. Suas mãos são delicadas como o toque do mar do verão. Jovem moço, dizem seu coração comanda tempestades ou doces ventos.

Filha, olhei nos olhos da pobre anciã e no momento pensei que por delírios da idade, ou crendices ela acreditava nas historias que contava, e me curvando para olhar a bela Concha de Prata, perguntei o valor.

Filha, ela me olhou com doçura e disse colocando ela em minhas mãos.

- Não a valor para você bom moço, não a valor.

Olhando a concha ainda filha, disse para ela que em troca da bela concha daria roupas para ela poder se vestir e se aquecer, mas ao olhar para o canto onde ela estava não a vi mais, e por algum motivo não me importei com a Anciã de olhos mágicos, só tinha olhos para a Concha em minhas mãos.


3 – Continuação
A Donzela vestida de Espuma


Filha, as luas se passaram, e eu fomos pescar, infelizmente não houveram muitos peixes nos dias que se seguiram, e fui a cada dia adentrando o mar aberto, perdido entre as redes que jogava ao mar, não percebi que o sol já estava baixo, mergulhando no oceano quando comecei a voltar para a praia. Ainda estava longe, quando os ventos começaram a ficar agressivos, revoltos como as nuvens que rondavam o por-sol. Num rápido movimento meu pequeno barco caiu nas águas frias, eu, lutando contra ondas que tingindas de escarlate pelo sol que se esvaia, consegui chegar a uma ilhota, e nela pude descançar a perda do barco, olhando minha pequena bolsa, pude ver que tudo que eu guardava, meus pequenos tesouros estavam lá, pergaminho de minha poesias, tinta, uma pena, e a concha prateada.

Minha doce filha, retirando a concha do tecido que a envolvia, olhei para o mar, a lua estava bela nos céus, coroada de estrelas que piscavam como archotes, por um segundo me lembrei da senhora idosa e do mito que me contou, rindo por um momento, olhei as ondas furiosas que batiam contra a praia, e juntando minhas duas mãos, segurei a concha, com uma solenidade irreal enchi-a de água, e com uma curta oração e reverencia coloquei na areia a concha. Rindo pois nada acontecia fiquei ali, obcervando o horizonte, olhando as nuvens velozes sobre a lua cheia, a espuma branca das águas, e a sensação de paz que a noite trazia.

Pude ouvir por um estante uma voz indecifrável, pude sentir minha filha por um instante a doçura inresistivel no ar, e das profundesas do mar, vi, um brilho tão intenso que ofuscava a Lua. Ali minha filha, pude ver emergir uma dama de beleza sem igual, sua pele era branca como o jasmim, e seus olhos azuis como o céu primaveril, as sedas de delicado tear eram de cores ireais, sonhos tecidos com esperanças, fios de paixão que foram bordados em devaneios e fartura. Seus cabelos eram negros como a noite sem lua, e suas delicadas mãos carregavam um leque cor de onda.

Andando sobre as águas veio a minha frente, ainda pisando sobre ondas que quebravam, estendeu suas mãos pedindo sua concha, olhando meus olhos profundamente, começou a falar, mas filha sua voz era doce como o aroma das glicínias, e tão delicada como o broto do bambu que nasce contra o vento indomado, quando entreguei a ela, ela sentou sobre as águas.

Ela me disse coisas, me falou sobre o mar, sobre o amor, sobre as perolas e sobre a canção que chamamos de vida, uma melodia calma e curta para Deuses, porem para o Homem que a vive, longa e turbulenta.

Nunca me disse seu nome, a dama, porem me deixou presente, antes do sol nascer sobre nossas costas, recebi uma fita azul, feita de um material que nunca tinha visto, ao tocar em minha pele, a jovem dama se desfes em neblina, que espalhou sobre a praia.

Olhando para o sol que nascia, e par a fita em minhas mãos, vi um barco cheando perto da praia, e um amigo, pescador de longa data, chamando meu nome entre a nevoa.

Ele me disse que fiquei desaparecido por 3 dias, e que meu barco tinha chegado a costa, e que estavam me procurando a algum tempo, me levaram para casa, e adormeci, com a fita azul em meu braço minha filha.


4 – DESFECHO
Paixão, saudade e revelação.


Passaram-se dias, meses e minha vida continuou como a de todos na pequena vila, me casei com a filha de um lavrador, sua mãe meu anjo, e vivemos nossas vidas.

Mesmo tentando de tudo, sua mãe não engravidava, íamos ao templo para orar, mas não conseguíamos a benção que queríamos.

Numa noite, enquanto eu fazia amor com sua mãe, pude ver o contorno de nossos corpos na parede em nossa volta, e olhando para meu braço minha filha, pude ver a fita azul, mergulhando sobre o corpo de sua mãe, adentrando sua pele, e invadindo seu útero.

Com o Sol que viajava sobre o Céu as estações se passaram, e finalmente chegou o momento de seu parto, o inverno tinha chegado calmo, e chuvas tingiam o céu, o frio invadia as casas, e num parto muito difícil você chegou ao mundo, uma tempestade, assim descreveu a parteira para mim.

Chegando no quarto onde você nasceu, senti um súbito peso, o ar denso, um choro forte mesclado com o choro fraco de algumas mulheres, olhando com alegria pude ver você, pele branca como a neve, olhos azuis intensos, miríades de sonhos, porem que me lembravam o passado.

Olhando para o leito, percebi minha mulher, sua mãe, tão branca como você, porem inerte, como uma rocha sobre um mar de lagrimas.

Te recebi nos braços, e percebi a verdade.

Você cresceu minha filha, e a cada dia era mais evidente, mais tenebroso e maravilhoso a similaridade.

Seus cabelos eram negros e poderosos, sua pele cheirava ao mar, seus olhos lembravam o céu do meio-dia, azul intenso, porem suave.

Minha filha, eu posso ser seu pai, e sua mãe pode ter dado a luz a você, porem, so posso dizer que...


5 – Fim
Ondas, conchas, adeus.


Antes de terminar a frase derradeira, a verdade final, sentiu a leveza de um corpo velho, sentiu o céu se mover e se tornar mar, e não percebeu quando caia, olhando rapidamente para trás, viu o rosto de sua filha, tentando segurar seu corpo, porem ao simples partir do tecido de suas vestes, caiu no mar, decendo vertiginosamente para o desconhecido azul, com um único arrependimento e um único sonho, não poder contar a verdade a sua filha, mas ir aos braços do mar, sua lapide liquida e salgada, porem estaria mais próximo da jovem misteriosa.

Olhando seu pai morto, porem afundando nas águas do mar, remou até a costa, a costa mais próxima, da falésia mais próxima, da ilhota mais próxima e chorou copiosamente nas águas do mar.

Sentiu uma mão delicada em seus ombros, um suspiro carinhoso, e olhou para trás.

Ali atrás dela, estava uma senhora, com roupas belas, negras como as profundezas do mar, olhando para ela, a senhora começou a falar.

- Criança do mar, não chore, seu pai estará feliz ao lado de seu verdadeiro amor. A anos, quando nesta ilha, ele encontrou a dama do mar ele se apaixonou por ela, e ela por ele, porem, esse é um amor proibido, uma deusa, e um mortal.

- a fita azul era a prova do amor deles, porem, era mais que isso, era a consumação de um sonho. Saiba criança, quando duas pessoas desejam algo com tanta intensidade, ela ocorre, e assim você nasceu filha de três pessoas, seu corpo feito por sua mãe humana e seu pai pescador, sua alma e mente feita pela donzela do mar, e seu pai poeta.

A jovem olhou à senhora com intensidade, chorando as verdades nunca contadas, perguntou quem era ela, e porque conhecia tanto sobre sua familia.

A senhora fitou o horizonte e contou o fim de uma trama a muito tecida.

- Criança, sou uma vendedora de sonhos, vendo aqueles que desejam o que mais desejam, na verdade, os meios para conseguirem. A seu pai uma concha de prata, a Dama do mar uma fita dos Sonhos.

Assim, seu pai pode conhecer o amor, porem perde-lo e só reconquista-lo na hora da morte, quando fosse envolto pelo ser amado, e a Dama do mar poderia ter uma filha, mesmo que nunca pude-se vê-la.

Criança, a dama da água, o Kami dessa bela praia preferiu permanecer sem sua forma humana pela chance de ter uma filha. Seu pai soube do preço e do que ganharia, teria você, filha de um Kami e de um humano, e nunca passaria fome dos filhos do mar, porem sua mãe teve preço maior, teria uma filha humana, porem nunca a criaria.

A jovem chorava como o céu, que negro com nuvens carregadas chorava pelos destinos que ser abriam.

A Velha senhora olhou para ela e virando por trás de uma arvore desapareceu, tendo cumprido seu doloroso trabalho.

A jovem olhou para o mar, para as nuvens que revoltas sopravam trovões, e olhando as ondas que viam aos seus pés, começou a chorar. Dizem que se chegar perto da ilhota das lagrimas, ouvira o lamento eterno da jovem, e ao tentar se aproximar da ilhota, o mar da praia de Ikei, mãe da jovem dama, afastara sua embarcação com as ondas.

Dizem porem que a vendedora de sonhos continua caminhando pelos caminhos do mundo, buscando compradores para seus exóticos produtos.


FIM


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Oi gente, espero que tenham gostado desta tambem, se gostaram, deixem um comentario e me adicionem, e se não gostaram deixem tbm um comentario.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Primeiro conto - CAMINHANDO PARA O DESTINO

Bem gente, escrevi a algum tempo essa cronica e resolvi finalmente postar no Blog, então, que gostar deixa um comentario, quem não gostar deixa um comentario tambem.

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1 - Prólogo
Manha reluzente

A Manha Começava rápida entre Som de carroças e cumprimentos na rua, Rouxinóis cantando sobre as Cerejeiras em flor, o ar primaveril que invadia o quarto da Estalagem, e o som da expectativa, ah o som da expectativa era forte porem suave e a colhedor. Levantando de seu Futon de palha e algodão, olhou o pobre quarto a sua volta, madeira quebrada, o telhado tão gasto pelo vento e chuva, e a porta de papel partida, um ninho pensou ele, um novo começo.
Levantando rápido juntou suas coisas, uma trouxa de memórias perdidas, poeira da estrada, roupas Puídas pelo tempo e uma carta, papel caro pensou ele, e o selo era importante, bem, estava borrado, como tambem a tinta de algumas palavras, mas quem não tem destino sempre segue um caminho que se abre, mesmo sem saber onde iria chegar com ela.
“Saldações... Edo... Estrada... sempre... venha” Eram essas as palavras a serem lidas, poucas, mas nunca tão poucas palavras emanaram tanta esperança ao pobre lavrador, vindo ele de uma pequena aldeia na província de Saitama, onde arroz e pesca davam seu pouco alimento e sustento, lembrava da paciente pesca com seu filho, os banhos no rio Arakawa, as corridas com sua amada, o colher de uma flor, ou o aroma da terra.
Saindo da estalagem foi cegado pelo Sol matutino que já estava alto no céu, um pequeno comprimento quase de praxe, recebendo com um sorriso um pouco de arroz Cozido, uma garrafa de Sakê e frutas secas para a viagem de 3 dias. sabia que após começar a caminhar não haveria abrigo, agradece e parte para sua pequena jornada em busca do desconhecido.
Olhando a estrada arida de terra seca pela grande estiagem, a chuva não havia tocado o solo nessa primavera, o inverno se foi a muito, e só o sol reinava soberano sobre os Céus, ele sabia bem os efeitos disto, sua lavoura de arroz, suas hortaliças, todas morreram, o fim da primavera chegando, e tudo foi perdido, não podia alimentar mais sua familia, a dor preencheu sua mente, a dor de lembranças secas como a terra, mortas como o arroz, mas o horizonte parecia promissor, “Saldações... Edo...Estrada... sempre... venha” palavras que faziam seus pés cansados e doloridos andarem sempre mais um passo.

2- Desfecho
O templo da Estrada.

O caminho seguia, o Sol já se escondendo naquela linha imaginaria no fim do caminho, tingindo o Céu de cores quentes porem que definhavam na esperança de uma noite negra e estrelada. Parado em frente a uma arvore de Nogueira, a corda de arroz a sua volta e os Origamis sagrados diziam tudo, estava a frente de um Kami, reverenciando ele gentilmente, esse solitário Kami isolado na estrada, se abaixou para pegar uma folha que tinha caído, a seu ver uma graça a alcançar, ou quem sabe só proteção nessa estrada que seguia como que ininterrupta.
Ao se abaixar sua mão toca algo macio, tenro. Olhando para o lado, abrindo os olhos até agora fechados pela oração vê uma Jovem mulher, roupas de seda do mais fino trato, e seus cabelos presos por um pente de osso e madre perola, algo tão refinado que á frente da face branca da jovem ele se curvou a uma reverencia solene, levando a jovem a um riso Gostoso e acolhedor. Ao se levantar ele repara nos profundos olhos cor de caramelo queimado, mas vivos como o por do Sol, uma profusão de vermelho e caramelo.
Numa segunda reverencia solene ele se apresenta a dama, de sua boca emergem as palavras.
- Muito prazer Senhora, sou Furui Kotori, aos seus serviços.
A jovem se curvando um pouco menos para o Jovem de aparência vigorosa porém triste, se apresenta em tom solene.
- Sou Oishii Shitori, muito prazer.
Após poucos cumprimentos, e agradecimentos sem nexo, a despedida é inevitável, e ele segue seu caminho com um Adeus, ela ouvindo partir ri, dizendo em seguida.
- Senhor, tambem vou para esse caminho, estou indo para o fim dessa estrada, gostaria de compania?
Em resposta recebe um sorriso amável do jovem Kotori que acena com a cabeça um caloroso sim.
Seguindo Juntos pela estrada Iluminada pela lua minguante nos céus, a pergunta surge da boca da jovem Shitori.
- Para onde o senhor vai com tanta pressa a ponto de caminhar pela noite a dentro por essa estrada?
- Vou para Edo Shitori-San, bem, mas para entender o porquê gostaria de ouvir minha historia?
A jovem concorda com a cabeça, e ambos se sentam ao pé da estrada, em pedras que delimitavam onde estrada começava e onde o descampado surgia, o barulho de um rio ao longe chamou a atenção do jovem antes de qualquer palavra surgir, mas começou a contar sua vida.
- Jovem dama, nasci numa pobre aldeia perto daqui, antes desse inverno rigoroso seguido de uma primavera seca, tínhamos, eu e minha familia, uma pequena roça de arroz, uma pequena horta de legumes, e o rio que seguia ao largo de nossa casa. Porém jovem senhora, como disse, o inverno foi rigoroso e assim minha amada esposa ficou doente.
Numa pausa que parecia eterna para nosso lavrador, ele começou a lembrar das cenas que deram origem a sua dor, as portas batendo pelo vento e neve, as tosses sanguinolentas de sua amada, o choro de seu filho de só 2 anos de idade ao lado da mãe moribunda, e o grito final, como uma ave abatida, e o silencio, o doloroso silencio encerrado pelo doloroso gritos e choros de um filho agora sem mãe e um marido devotado agora solitário.
- Desculpa pela divagação, mas isso me trás memórias dolorosas, vamos buscar água, a viagem é longa, e só tenho pouco suprimento.
A jovem consentiu com um sorriso calmo, doce como os braços de uma mãe, e seguiram juntos para o rio, pela grama alta, e pequenos pedaços de carroças destruídas. A luz da lua iluminava as águas do rio, pequeno, raso, calmo, mas com um doce som de água corrente. A jovem pegando um recipiente de bambu e laca dourada que trazia com consigo, o jovem uma bolsa de couro e ambos pegaram à água, beberam um gole, e encheram seus receptáculos.
Sentando na margem do rio, ambos olhando as estrelas e ouvindo o som das águas, ele recomeça sua lastimada historia.
- No fim do inverno, eu e meu filho olhávamos o campo e começamos a plantação, o inverno rigoroso acabou com nossa comida e vivíamos do pouco que alguns vizinhos mais afortunados nos davam. Mas no decorrer da primavera, a terra não viu mais chuva, o rio diminuiu de tamanho, e a nossa colheita foi perdida, os brotos morreram pelo sol, e os peixes não chegavam ao rio como antes.
Olhando os céus e pensando, fitando ao longe uma estrela, começou a se lembrar do filho, emagrecendo a olhos vivos, cada dia mais ressecado como a terra, aquele pequeno broto de bambu, que simplesmente secou e morreu. Pensando nisso lagrimas correram por sua face e no fim ele disse.
- Assim meu doce filho morreu de fome, seco, ossos que agonizaram até o fim de uma vida curta porém difícil. Às vezes olho para o céu dama, e imagino porque os deuses fizeram isso comigo. Não, porque fizeram isso conosco.
A dama olhou para ele profundamente, e acariciou sua face, enxugando suas lagrimas com a barra de seu kimono azul profundo, assim que ela terminou, ele sorriu um pouco, dizendo em palavras vigorosas.
- Mas acho que os deuses sorriram para mim depois de tanta tempestade, estava pronto para terminar com minha vida, encontrar meus amados filho e esposa, quando essa carta chegou, no único dia de chuva, me lembro bem, quando peguei a carta, havia poucas palavras legíveis, mas me encheram de esperança para partir, e começar algo novo.
Pegando a Carta e entregando para a Dama, ela sorri, e abre o envelope, olhando o selo, e abrindo a carta, lendo elas por instantes, nota o apagar de algumas palavras. Olhando docemente hora para a carta incompleta, hora para a face do jovem ela sorri, tira da manga de seu kimono um frasco com tinta negra e um pincel, escrevendo na carta duas palavras, rápidas e precisas, duas palavras que cobriam todo o papel, escondendo as palavras de esperança de um passado cinza. Assim, mostrando ao jovem, que iniciando o choro de novo encarava hora carta, hora à face pálida da jovem iluminada pela lua minguante.


3 - Finalização
Nas Margens do Rio
Verdades luminosas

Os olhos mareados de lagrimas do Jovem focavam a mensagem e a nova palavra escrita sobre as linhas incompletas, não entendendo muito o porquê do que estava acontecendo, suas lagrimas vazavam o resto enquanto negava a escrita impecável.

O sorriso sarcástico da Jovem a sua frente que agora em pé mostrava todo seu esplendor, olhando com cuidado notou que os alvos pés da jovem estavam suspensos no ar, viu aos poucos seu pente escorrer pelos cabelos negros da jovem, ao tocar o chão o osso e a madre perola do pente evaporaram se tornando nevoa e vaga-lumes que como um manto rondavam a jovem.

Seus cabelos soltos e revoltos, a nevoa e as luzes dos vaga-lumes, se uniram ao kimono que resplandecia em um brilho fosco na noite estrelada, quase ofuscando o brilho da Lua, um leque alvo em sua mão direita. Agora sua face antes calma transparecia fúria porem ao mesmo tempo justiça.

Em vão tentou se afastar caindo para trás entre as longas pedras as margens do rio, fazendo cair na água plácida que sem se importar com o destino continuava seu curso ininterrupto, carpas multicoloridas vagavam pelas águas, e os seixos lisos e redondos aos seus pés eram ignorados. Ajoelhado em frente da Donzela divina, dizia quase em transe, talvez pelo medo, talvez pelo profundo respeito agora aflorado.

- Quem é Você?

A jovem tampando metade de sua face com o leque deu uma risada, e disse com palavras que pareciam silenciar a noite.

- Sou o kami dessa estrada, você visitou meu santuário a pouco, e aos meus pés rezou com hipocrisia e mentiras em seu coração. Assim, te acompanhei nesse curto tempo, para em meu pequeno julgamento ver a verdade, e tentar extrair ela de seus lábios, mas em vão, só obtive mentiras banais e manchadas com o sangue de seus familiares, eles que te amavam profundamente.

Com o leque mirado para os Céus e agora se iluminando de cores etéreas e de perfeição inebriante a jovem olhando fixamente para aquele Jovem que como um pássaro acuado esperava seu destino final, lançou uma forte rajada de vento nele e assim sua mente ficou confusa, e num clarão de luz começou a enxergar o passado.

Aos poucos reconheceu onde estava, e ali na sua frente viu qual um quadro, viu ele, um frasco de veneno, e a água de sua amada esposa, e depois viu, ele dando a cada dia e noite a água para ela. Ouvia agora a voz da Bela Kami que dizia.

- Ser Cruel e injusto, munido da mais baixa arma, matou o ser que mais te amava, mas mesmo ela ao morrer, quando viu seu sorriso no ultimo suspiro de vida dela, só pediu uma coisa.

Assim ecoou entre as águas do rio o som doce da voz de sua esposa morta.

- Só cuide de nosso amado filho, só isso que te peço meu amado, mesmo que tenha me matado hoje, se redima disso, cuidando dele.

A voz aos poucos foi se afastando, e a luz que cegara seus olhos reduzia, e ao voltar a si olhou com os olhos em profundas lagrimas para a Jovem a sua frente, que com o leque levantando novamente, aquele leque envolto de cores espectrais, dizia serenamente.

- Você jurou a ela no seu leito de morte que cuidaria de seu amado filho...

Interrompida pela voz que gritava do jovem ajoelhado, dizendo.

- Mas não foi minha culpa.

Os Céus escurecidos por nuvens negras, deixavam escapar de sua mortalha pequenos feixes de luz lunar que incidiam na jovem Kami a sua frente, que com sua face em fúria e cabelos em ira pela força do vento que soprava gritou a plenos pulmões, retumbando para os quatro cantos do campo dizendo.

- Mentiras! Falsas palavras que profere a mim? Ousa continuar a mentir? Encare a verdade de sua desonra.

Ao dizer essas palavras, proferiu o ataque de seu leque, fazendo o jovem tremer com mais um ataque de vento e nevoa sobre ele.
Assim a luz mais forte e cegante mostrava a verdade mais uma vez e viu seu doce filho em volta de um profundo buraco, brincando sozinho enquanto ele ao lado, no rio tentava pescar. Ouve o grito de seu filho, o pedido de socorro, corre para ver o que acontecia, e quando chegou perto viu, seu filho, sua pele branca manchada de sangue, a face se contorcia de dor, e no fundo buraco que ele gritando por socorro naquele isolado ponto.

Ao ver aquela cena, viu, ele pegando uma pá, sorrindo enquanto dizia.

- Finalmente me livrei de sua pobre mãe, e agora me livro de você, assim nada me prende a essa terra arida e sem futuro.

Ele começou a empurrar a terra com uma enxada a sua frente, e entre os gritos confusos de seu filho, jogava a terra sobre seu corpo, que aos poucos era tampado com terra e pedras, e no fim, só conseguiu ver ele, em pé, firmando a terra com a enxada.

Após isso, a luz foi diminuindo tal como à luz de sua alma foi apagando, e ao fim, a doce donzela começou a desaparecer entre a nevoa que cobria o solo nesse horário, retornando a seu posto, sua morada viva, a nogueira do templo.

Ao desaparecer do rio, a nevoa a acompanhou, e assim revelou a luz da lua que aos poucos aparecia entre a chuva que começava.

A luz iluminava as pedras brancas do rio, entre elas jazia o corpo do lavrador, inerte entre as pedras, com os olhos abertos que refletiam a sua dor final, e sua face retorcida pela vergonha e punição, agora, sua face lentamente era molhada pela chuva que como lagrimas escorriam pelo seu corpo e chegando na Carta que agora iluminada pela Lua mostrava por alguns instantes a frase e sobre ela duas palavra escrita numa fina e bela caligrafia.

“Assassino”
“Desonra”



FIM
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Espero que tenham gostado....
Vou postar outras cronicas do decorrer da vida desse Blog, então beijos e abraços.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Estréia

Bem gente, essa é a estréia de meu Blog, e vou começar com um pequeno poema que escrevi faz algum tempo, nesses dias estou me organizando para postagens futuras, não sei se faço semanal, ou quando surgir algo, não sei se os contos eu posto completas ou em nome do suspense posto por capítulos ou cada uma de vez.

Então, para não ficar me estendendo aqui lá vai meu primeiro poema postado.
Espero que gostem.
E espero tambem que deixem comentários, falando o que acharam do blog, do poema, de mim, que seja.

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Canção do caminho

Eu nesse claustro cristalino
Donde nânfora só resta o vinho
Vivo a verter o liquido salino
Num bailar deselegante e estático

Admiro lapides de nevoa
Que se movem inquietas
E vivas me sufocam a alma

Tento seguir o ritmo indeciso
Vivendo de sofrimento sofrido
E de alegrias etéreas e mortais

Tão bem quanto os olhos apagados
Vivo olhando as cores do mormaço
De um lago de mentiras banais

Tento crer no labuto árduo
Tento viver como o arauto
De noticias manchadas de esplendor

Pois eu nesse claustro de areia
Sofrendo nas grades que permeia
E me cantão o som da solidão

E de laminas que queimam frias
Tal qual garras alvas das harpias
E que cantam o som da dor sublime

Talvez a noite apazigúe a vida
E com lagrimas cruas e ditas
Me renovem o cardio dessecado

Talvez o dia me guie a ida
Ou as estrelas que no céu fixa
Mostram o caminho do decapitado

E num sonho feerico viva
E no rumo da cantiga siga
A ceifa da neve fria
Que renova meu peito cansado

by Jaiadeva Seus