quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Quarto conto - A Mascara Branca



Bem gente, já tem um tempinho que não posto nenhum poema, cronica ou sei lá, acho que vou retomar isso. Espero que todos vocês (Cri cri cri cri) que me seguem (cri cri cri cri) curtam essa cronica. Beijos...

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A Mascara Branca.
Capitulo unico

Ele acordou sentido o peso da noite passada, poderia chamar aquilo de festa, poderia chamar aquilo de emboscada, tortura, mas fazer o que, preferiu chamar aquilo de Vodka de graça. Riu enquanto sua cabeça doía um pouco,  ainda meio tonto pela ressaca olhou com seus olhos castanhos a sua volta, bem, parecia um quarto, um pouco acima de qualquer quarto que se lembrava, e com 22 anos, bem, digamos que esse não foi o primeiro quarto misterioso que ele acordava. Sou uma puta, pensou enquanto olhava para o chão buscando suas roupas, já havia tomado ciência de que estava nu há alguns minutos, devia seguir o protocolo, riu enquanto revisava os passos que ele mesmo traçou depois de alguns mal entendidos. 

Olhou os tênis perto da escrivaninha, um pé da meia na cama, a cueca, bem não achou sua cueca e resolveu esquecer ela, olhou para o canto para encontrar sua camiseta, conferir para ver se era sua mesmo, polo preta e branca, confere. Suas calças jeans estavam difíceis de achar, mas ali, ele logo pode ver uma perna da calça saindo por baixo da cama. Se vestiu rápido, entre um cambalear e outro.

Após vestido olhou em volta, procurando um banheiro que talvez não existisse no quarto, bem, pelos deuses existia. Ele foi em direção do banheiro, entre flash’s de uma noite ainda caótica em sua mente, lembrava da festa, lembrava dos intermináveis  shot’s de vodka que continuavam chegando, lembrava daquele homem de olhos azuis profundos e cabelos negros como a noite, lembrava de ter de olhar levemente para cima quando estava perto do cara, alto, corpo definido, pele branca e  olhos profundos.

Lembrava de falar algo com ele, ou o cara falar com ele? Tudo era muito confuso começando dai, e só piorava. Lembrava de um lençol vermelho, dos corpos nus,  lembrava da mascara, uma mascara de ossos que circundava sua mente, sempre aparecendo, sempre absorta de seus pensamentos. Não queria pensar na mascara.

Entrando no banheiro olhou para o espelho, ignorou a marca roxa em seu pescoço, ajeitou os amassos na roupa com a mão, arrumou seu cabelo cor de cobre, sorriu angelicalmente para o espelho. O espelho já estava partido quando entrei no banheiro? Pensou confuso. Não tinha notado até então os cacos de espelhos concêntricos em um ponto. 

Voltou para o quarto, a tontura já havia passado, olhou para a cena a sua frente, tudo estava diferente de uma maneira diferente. Pensou, não de novo não.

A cama permanecia vermelha, mas não pelo lençol, pelo sangue que escorria e manchava o piso de madeira, marcas de luta por todo lugar, a cômoda virada, o armário aberto, marcas de cortes nas paredes, sangue espalhado pelo alvo da pintura, caos, morte, tudo cheirava a caos e morte.

A mascara, ela esta ali, rindo para ele, a mascara de ossos e nevoa, olhando no fundo de seus olhos, ele tinha de fazer parar. Pegou um vaso enquanto gritava, atirando contra a mascara.
Ouviu o som de estilhaçar.

Não do vaso, não só do vaso. Olhando viu, tinha acertado um espelho.

Começou a rir, gargalhar, como se acha-se graça de algo que só parte dele sabia, e essa parte não iria contar para ele. 

Passou as mãos sobre seu rosto, sentindo a sua pele lisa, sentiu algo em suas mãos, algo que não tinha notado antes. Sangue seco.

Novos flash’s da noite anterior passaram em sua mente. Tudo fazia sentindo a ele agora, aliviado ele sentou na cama.

Tirou da cabeceira da cama um cigarro, acendeu com um esqueiro que estava sobre a cômoda. Tragou profundamente e soltou a fumaça, enquanto olhando para o nada, com seus olhos vidrados, sentia a fumaça envolver ele, tudo agora fazia sentido.

Lembrou de ir para casa, sua casa, estava ali, seu quarto.

Lembrou de tirar a roupa e beijar a pele de seu companheiro casual. 

Lembrou de agarrar o cabelo dele enquanto mordiscava sua pele.

Lembrou de amarrar o mesmo a cama, enquanto riam juntos, pela antecipação.

Então lembrou da mascara, ali, com ele no quarto.

Lembrou dos gritos inumanos de seu companheiro.

Lembrou também do gosto metálico em sua boca, seus olhos selvagens de predador, as lagrimas nos profundos olhos de seu companheiro, e por fim, o silencio, o sabor doce do sangue, e o corpo inerte. A sim e a mascara, sempre a mascara de ossos.

Olhou para o corpo frio com olhos opacos, ali,  ainda amarrado na cama, olhou para a garganta dilacerada, lambendo os lábios lembrou, enquanto ficava duro pela memoria, de toda a diversão que tiveram na noite passada, ele e a mascara..

Tenho de arrumar o quarto, pensou.

Tenho de trabalhar hoje pela tarde. 

Sorrindo, olhou para a mascara que era refletida na janela de teu quarto, olhou para a floresta que circundava sua casa, pelo menos da vista da janela, e mandou um beijo para seu companheiro. 

Aquela mascara branca que sempre o acompanhou.

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